

Regresso ao Museu Machado de Castro para visitar o Criptopórtico, único núcleo museológico aberto ao público neste Museu, em virtude das obras de remodelação e requalificação em curso. Espera-se que no final do corrente ano possam ser visitadas os restantes núcleos.O Museu Machado de Castro foi o “meu primeiro museu”, local onde passei muitas tardes de aprendizagem e de contacto com o Património, tardes passadas a frequentar ateliers de cerâmica, pintura e tecelagem. Durante os primeiros anos de liceu grande parte da minha formação, no âmbito da disciplina de Trabalhos Manuais, foi feita no último piso do “Machado de Castro”, com liberdade para perambular pelos corredores repletos de escultura, paramentaria e pintura. É verdade que o gosto se educa, como se comprova pelo fruto resultante da cumplicidade estabelecida com as colecções do Museu, numa idade de abertura à aprendizagem e às culturas da arte e do Património.
Na altura não podíamos visitar o Criptopórtico, ainda não totalmente escavado, nem suficientemente estudado. Corriam as histórias de tesouros escondidos nos sombrios corredores, esculturas encontradas nas paredes e demais objectos que a nossa imaginação tratava de transformar em arcas de moedas de ouro, ou em aventuras inspiradas na série televisiva de culto juvenil na época que dava pelo nome de “Os Pequenos Vagabundos”. Anos mais tarde, já aluno na Faculdade de Letras, ali mesmo ao lado, haveria de descer ao Criptopórtico, comprovando a veracidade das histórias que se contavam na idade juvenil, a magia das suas galerias e os excelentes retratos escultóricos podiam ser agora contemplados e fruídos em todas as suas dimensões.
Em 2009 é possível visitar um circuito museológico independente do resto do museu ainda em obras, aberto e bem delineado, alargado à totalidade dos espaços descobertos e devidamente explicado, pondo assim em evidência aquele que é um dos mais belos e originais criptopórticos do mundo romano.
O aproveitamento deste cenário para exposição de algumas peças de escultura, belos retratos escultóricos, importantes retratos para o conhecimento de Aeminium.
O percurso é mágico, porquanto se deseja que o visitante o sinta especialmente como pura expressão arquitectónica de uma dimensão de sustentabilidade estrutural do “criptoforum” romano de Aeminium.
Breve Cronologia dos trabalhos arqueológicos
1929 – Início dos trabalhos arqueológicos no Criptopórtico, encetados pelo Prof. Vergílio Correia;
1971 – Conclusão dos trabalhos de arqueologia e restauro do Piso -1 e sua integração no circuito de visita ao Museu.
2009 – Inauguração da requalificação dos pisos inferiores do Museu Machado de Castro, estruturas das fundações do fórum romano de Aeminium.
O Criptopórtico é um conjunto de galerias abobadadas que constituem uma gigantesca estrutura que possibilitou a edificação do fórum claudiano na civitates de Aeminium, num ponto médio do acentuado declive da colina. Destruído o Império romano o fórum desapareceu, mas não o criptoportico que se manteve em uso ao longo dos tempos, até à Idade Média. Razões de segurança ou outras conduziram ao seu entulhamento e ao seu esquecimento.
Poemas de mármore. Michelangelo escultor e poeta nas Lezioni de Benedetto Varchi*
“Já não me parece mais, Bettini, fora de lugar
quando leio que o homem se apaixona pelos mármores
depois que vi a obscura Noite e a Aurora resplendente do grande escultor
divino engenho e mão mais erudita das outras
deu o Céu, mais generoso que nunca, conjuntos num só homem,
como para que a sorte não seja inferior à Natureza."
*Luciano Migliaccio Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo
quando leio que o homem se apaixona pelos mármores
depois que vi a obscura Noite e a Aurora resplendente do grande escultor
divino engenho e mão mais erudita das outras
deu o Céu, mais generoso que nunca, conjuntos num só homem,
como para que a sorte não seja inferior à Natureza."
*Luciano Migliaccio Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo
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