
Malangatana Valente em Coimbra
Dia 7 de Fevereiro, tarde de sábado passada em Coimbra, oportunidade para assistir à exposição de pintura e gravura de Malangatana, em Coimbra, no âmbito da homenagem a Eduardo Chivambo Mondlane – Pastor de Manjacaze, a qual contou com a presença do Embaixador de Moçambique e da filha de Malangatana.
Regresso a uma exposição de Malangatana, muitos anos depois da exposição da Cultural Gest em Lisboa. A mesma profundidade social e política, a habitual polivalência criativa e o manifesto de orgulho pela sua origem moçambicana e africana, proclamada com alegria cor e patriotismo.
Liberdade e paz.
Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, distrito de Marracuene, Moçambique, a 6 de Junho de 1936.
A partir de 1959 dedicou-se exclusivamente à causa da arte (pintor, escultor, ceramista), com o apoio de Augusto Cabral e do arquitecto Miranda Guedes (Pancho), que lhe cedeu uma garagem para servir de atelier, e possibilitou a sua afirmação artística apoiada na aquisição mensal de dois quadros.
Organizou a sua primeira exposição individual em Lourenço Marques, em 1961, na Associação dos Organismos Económicos.
Artista militante, juntou-se à rede clandestina da FRELIMO, logo no início da luta armada em Moçambique, sendo considerado pela PIDE como um dos mais importantes criadores de propaganda pró-Frelimo, tendo sido preso por duas vezes.
A sua arte manifesta-se em preocupações de carácter social, projectando-se nos meios artísticos nacionais, de que decorre a atribuição de uma bolsa, em 1971, por parte da Fundação Calouste Gulbenkian, trazendo-o para Lisboa, onde se especializa em gravura e em Cerâmica (Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego).
Com a independência de Moçambique envolve-se directamente na vida política do seu país, participando em diversas acções de dinamização cultural e alfabetização.
Foi um dos criadores do Movimento para a Paz, do Museu Nacional de Arte de Moçambique e criador do Centro de Estudos Culturais, actual Escola Nacional de Artes Visuais. Criou ainda, entre muitas outras iniciativas, os núcleos dos artesãos das zonas verdes de Maputo.
Já em 1992, após o final da guerra civil moçambicana, dinamiza o projecto cultural na sua aldeia de Matalana, de que resultou a Associação do Centro Cultural de Matalana, da qual é o actual presidente.
A sua polivalência artística, pintor, ceramista, cantor, actor, dançarino, fazem de Malangatana a personalidade artística e cultural mais identificada com a nação moçambicana.
Irmãos
Há batuques no silêncio da noite
Que não se ouvem
São da cor da palmatória
Mas não se ouvem
E a palmatória
Ouve-se sempre
E é por isso que temos de silenciá-la
Com a força maior que a dor
E vamos irmãos
Vamos, porque a palmatória
Silencia o meu batuque
Malangatana
23.06.69
Há batuques no silêncio da noite
Que não se ouvem
São da cor da palmatória
Mas não se ouvem
E a palmatória
Ouve-se sempre
E é por isso que temos de silenciá-la
Com a força maior que a dor
E vamos irmãos
Vamos, porque a palmatória
Silencia o meu batuque
Malangatana
23.06.69
3 comentários: