03 Maio, 2009

Henrique Pousão, no Museu Nacional Soares dos Reis



"Esperando o Sucesso, Impasse Académico e Modernismo de Henrique Pousão"
Museu Nacional Soares dos Reis - Porto


Porto, no fim-de-semana do 1º de Maio. Tempo magnífico de Primavera, a contrariar todos aqueles que dizem que o Porto não tem cor.O azulão que cobria toda a cidade, irradiado a partir do Douro calmo e em paz com o Atlântico, remetiam-nos para o Mediterrâneo. Os tons não estavam muito longe dos pincelados por H.Pousão captados na ilha de Capri, belissimo quadro que pode ser apreciado no MNSR.
O pretexto foi mesmo esse, tentar perceber onde é que H. Pousão foi beber toda a sua mestria artística e cromática, se ao Alentejo(Vila Viçosa), ao Porto, a Paris ou a Itália?A resposta deixou de ser fácil de dar, devido ao Porto que viemos encontrar, azul, limpido e calmo, tal como Pousão pintou os seus quadros na sua estadia em Itália entre 1882/83.
O drama da vida de Henrique Pousão é também o drama da Arte Portuguesa, provocados pela morte prematura do artista, com 25 anos de idade, ocorrida em Vila Viçosa, tendo sido vitima de tuberculose.
A exposição só por si é muito comedida, não sendo a grande exposição que HP merece e que ainda não lhe foi feita. Trata-se de uma pequena(pequeníssima) exposição, centrada numa das suas sua obras mais conhecidas, "Esperando o Sucesso", a partir da qual se tenta reconstituir as diversas conexões relacionadas com a vida do artista ao longo do seus estádios de formação, criação e afirmação estética.
A intenção é a de comemorar os 150 anos de Henrique Pousão, relembrando que, não fora a sua morte prematura, a História da Arte Portuguesa seria mais rica, mais ousada e mais receptiva às vanguardas artísticas da época. Pousão é um dos maiores artistas da modernidade portuguesa, como o comprova não a exposição em si, mas o conjunto de quadros seus, da colecção do Museu nacional Soares dos Reis, nos quais se destaca a célebre e magnifica paisagem da Ilha de Capri, ou o impressionista quadro de "Mulher na Árvore", magnífico manifesto artístico de um movimento estético que não teve sequência no panorama da arte portuguesa da época e subsequente.
Pousão é magnifico, da exposição esperávamos mais.Também esperávamos poder comprar o catálogo, mas não o pudemos adquirir porque ainda não estava disponível, talvez para a semana, segundo informação dos serviços do Museu.


Fotos NB

"Os Teus Olhos"

O céu azul, não era
Dessa cor, antigamente;
Era branco como um lírio,
Ou como estrela cadente.

Um dia, fez Deus uns olhos
Tão azuis como esses teus,
Que olharam admirados
A taça branca dos céus.

Quando sentiu esse olhar:
"Que doçura, que primor!"
Disse o céu, e ciumento,
Tornou-se da mesma cor!

Florbela Espanca

4 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns, mais uma vez....
não foi coincidência, Pousão e Florbela, ambos de Vila Viçosa, o azul, a tragédia de uma vida mais curta e de obras interrompidas....
Andreia

Anônimo disse...

o azul é de Vila Viçosa, do Porto ou de Capri?
Paulo

Nicolau Borges disse...

O azul é "nosso"...
Abraço

Anônimo disse...

henrique pousão...grande pintor

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