30 Abril, 2009

"Raphael", na Fundação Bernardo



Sábado 25 de Abril, último dia da Exposição “Raphael”, na Fundação Bernardo. Caras conhecidas e algumas amizades de longa data, acompanharam a visita aos vários núcleos da exposição, distribuída pelos vários compartimentos da “fundação”, “nouvel" instituição de arte contemporânea já transformada em lugar de cultura e de encontro dos apreciadores de artes nas Caldas da Rainha. Muito calor humano, silêncios cúmplices e expectativas ansiolíticas. A exposição não nos deixou ficar mal, pelo contrário, fez-nos bem ao ego, ao espírito e ao adormecido sentido crítico. Existe mesmo, ainda, a arte pela arte, numa mistura de capacidade criativa, aliada ao mecenato puro e generoso. Desde a provocação, dentro da maior e melhor tradição bordaliana, passando pela ainda contemporânea mescla pop e a mais estética e naturalista capacidade de “instalar instantâneos” naturais, profundamente plásticos e emotivos.
Um genuíno e bem vivo Centro de Artes, mesmo no Centro da Cidade, junto à Câmara das Caldas, outro forte contraste, comprovando a velha máxima de que onde há vida, também há morte. Cerâmica, caricatura, mordaz e politica actualizada, deixando-nos a sensação, há muito não sentida, de estarmos perante o ponto dentro do ponto, a arte dentro da arte, inexistência da parte, apenas e só o todo. Não é isso a arte?
Para visitar mais vezes e consumir sem moderação.
Parabéns Bernardo, pela fundação, pela ideia, pela arte, pela vida, pela irreverência, pela sinceridade, pela oportunidade, pela arte, pela vida, pela ideia, pela fundação, pela sinceridade, pela instalação, pela vida, pela oportunidade, pelo Rafael, pela ideia, pelo túnel, pelo vento, pelo cheiro, pela vida, pela ideia, pela fundação, pelas janelas, pelos interiores, pela pop, pela vida,pelas folhas caídas, pela performance, pela arte, pela arte, pop, op, o, po, pop ……….
Fotos NB

20 Abril, 2009

“A Beleza do Corpo”

Exposição inédita na Península Ibérica, como resultado da colaboração entre o Museu Britânico e o Museu Arqueológico de Alicante*, com a apresentação inédita de um conjunto de peças artísticas que representam o belo ideal clássico manifestado através do corpo humano. O corpo humano representando o imaginário mítico, com obras-primas de todas as épocas da arte grega, desde a sua fase mítica até à helenística: esculturas em mármore, relevos, terracotas, vasos cerâmicos de figuras negras e vermelhas, bronzes,…, numa exposição única só possível pela “generosidade” do Museu Britânico.

A questão que se coloca é a de que estando tão marcante exposição tão perto de nós (Alicante), será que o nosso Ministério da Cultura não conseguirá trazê-la ao nosso Museu de Arqueologia? Poder ver o Discóbolo e outras obras-primas da História da Arte Universal seria um verdadeiro serviço público prestado a todos os portugueses.

*O Museu Arqueológico de Alicante foi o Museu Europeu de 2004. Visitei-o, virtualmente, em http://www.marqalicante.com

Beleza

Não tens corpo, nem patria, nem familia,
Não tens curvas ao jogo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te roi.
Es a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
Es a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
Es aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
Es a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte ,
Ou em simples verdade.
Es o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
Es um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
Es o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
Es a beleza, enfim. Es o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem patria, sem familia,
Tudo repousa em paz no teu regaço.

Miguel Torga

14 Abril, 2009

Lugar da Água, de RUI VASCONCELOS



"Lugar da Água", de RUI VASCONCELOS
-5 de Março - 31 de Maio 2009 CAM - FCG-
“Os registos funcionam na esfera da intensidade, em termos de maior ou menor densidade, em profundidade e ao longo da superfície. O que é que está lá e não se vê, mas de alguma forma se pressente, o ressoar, um conjunto de pequenos momentos”
Rui VasconcelosA expor desde 1998 e presente na exposição Últimos Dias, realizada no Centro de Arte Moderna da FCG, em 2000, Rui Vasconcelos tem tido um percurso discreto, ritmado por uma forma lenta e muito minuciosa de desenhar e colorir.Nesta exposição, na Sala de Exposições Temporárias do Centro de Arte Moderna da FCG, Lisboa, Rui Vasconcelos mostra duas encáusticas de grandes dimensões, e cinco outros desenhos a guache, a acrílico, a grafite e a tinta-da-china.A paisagem, construída progressiva e modularmente, repete um arquétipo a que o artista se fixou e que é reconhecível em todas, apesar das variações introduzidas.
Rui Vasconcelos nasceu em Lisboa, 1967
"Em redor,
a mancha,
verde e cor de água,
cor de água e verde.
Água e verve,
verve e água.
Em redor,
a luz,
minuciosa e estrelada...
Em redor tu....
límpido,
irresistível como a água....."
(Dedicado ao JBS)
Fotos NB

07 Abril, 2009

Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela




Estive lá no último fim-de-semana.Há vinte anos que não ia a Santiago.Confesso que a cidade mudou pouco, ao contrário de Vigo, que quase rebenta pelas margens das rias....Não quer isto dizer que seja mau, para Santiago de Compostela, pelo contrário, soube-se manter a cidade equilibrada em termos urbanísticos, mantiveram-se os seus traços de cidade de peregrinação e mantém o seu carácter de cidade receptiva à cultura e ao turismo de massas que pretende aceder à sua magnifica Catedral, para abraçarem o Santo/Apóstolo Tiago.
Fui com a intenção de visitar o Centro Galego de Arte Contemporânea e não voltei desiludido. Revisitar Siza e a sua escultura/arquitectura, os espaços pejados de luz e o diálogo permanente com a envolvência, no caso o Museu do "povo galego" e os seus belíssimos jardins. O espaço e a arquitectura remetem-nos para Serralves, a marca do Mestre está lá, e o sentimento de irmandade (galaico-portuguesa) faz-nos sentir em casa.
Uma outra descoberta ressalta do conhecimento da qualidade da arte galega contemporânea exposta, cosmopolita e interventiva. Ressalta ainda a constatação da permanência cultural portuguesa enraízada na cultura artística galega...tão próxima de nós, tão nossa, quanto galega, a começar pela língua, ora leiam:

"O Centro Galego de Arte Contemporânea é un espazo de difusión que ten a función de dinamizar o panorama artístico actual e reflexionar acerca da diversidade das conformacións culturais na sociedade contemporánea.

Creado en 1993, a aparición deste centro enmárcase dentro da política xurdida en España a partir da década de 1980 para promover o desenvolvemento de plataformas culturais e favorecer a entrada de Galicia no circuíto artístico internacional.

Desde os seus inicios, o CGAC mostrou as liñas directrices da arte das últimas décadas mediante exposicións retrospectivas de artistas recoñecidos internacionalmente ao lado de mostras adicadas a difundir a arte galega, incluíndo tanto autores xa consagrados coma os máis emerxentes.
Tamén son continuas as colaboracións con outras institucións, que nesta nova etapa se verán reforzadas con proxectos a longo prazo.

Alén dun espazo expositivo, o CGAC é un centro dinámico e multidisciplinar no que se celebran ciclos de conferencias, talleres impartidos por artistas e incursións no campo da música, as artes escénicas e o cine, que permiten a participación activa do público e favorecen o intercambio de ideas entre profesionais de distintos ámbitos.

A sociedade e a súa problemática incorpóranse ao mundo da arte; as salas do centro ábrense ás posibilidades da tecnoloxía e a debates sociais que inflúen tamén na colección permanente do CGAC, construíndo un relato que se le a través dos acontecementos actuais, e que facilita a individualización das obras á vez que a interrelación entre todas elas. "
Não sabe bem?
Na impossibilidade de dar um salto até lá, pode visitá-lo, virtualmente (também sabe bem... ), em: http://www.cgac.org