29 Maio, 2009

Candle#02 - Tarde do dia 10, em Sunion -




Cabo Sunion#"Let me sing and die"

Depois do almoço, nas proximidades da Ágora, rumámos a Sunion. Associava Sunion a Byron e a algumas das fotos com templos gregos mais fascinantes e mais belas. Não ímaginava o que me esperava.O que encontrei foi de cortar a respiração e de nos deixar sem fala o resto da tarde.Esquecera-me da poesia de Byron e não tinha como me reapossar das suas impressões sobre Sunion.
A 67 Km a SE de Atenas no extremo da península da Ática, lá bem em cima num soberbo promontório, lá estava a "coroa" de mármore branco, um templo que irradiava candura proveniente dos contrastes entre o lazuli da quietude do mar e o azul celestial.Não me lembrava de tamanho "balance", nem de maior fortuna humana na escolha de um local para instalar um templo, dedicado a Poseidon, pois claro, só podia ser.
Byron esteve aqui e autografou uma das colunas da fachada.
Desde a antiguidade que Sunion se converteu num centro de culto. Homero glorificou-o, como cabo sagrado, deuses e heróis foram aqui adorados, com especial veneração Atenas e Poseidon, compreende-se porquê......
Estamos perante um templo dórico, períptero com 6 x 13 colunas, datado do V século a.C., enquadrado por uma recorte de costa de cortar a respiração e uma magia epifânica.


"Place me on Sunium's marbled steep,
Where nothing save the waves and I
May hear our mutual murmurs sweep;
There, swan-like, let me sing and die."

Lord Byron, "Don Juan"




21 Maio, 2009

Candle#01 - Manhâ do dia 10, na Acrópole -

Maio, Maduro Maio e eis-me em Atenas, com toda a abertura de espírito e a eterna esperança de auto-pacificação.É sempre assim, quando viajo, à procura do mito do eterno retorno ou da espiral encantada. O resultado é quase sempre o mesmo, como dizia a arqueóloga que nos acompanhou neste nosso périplo de oito dias pela génese do classicismo, "stones, stones, allways stones".
O relato é apresentado na forma de algumas fotos, acompanhadas de poesia, sempre a poesia.Foi isso que fomos procurar, e foi isso que encontrámos, "stones, stones, stones"/poesia, poesia, poesia/sempre a poesia, na Cultura, na Arte, na História, na Humanidade dos velhos e dos novos amigos.





A TOWN IN SOUTHERN GREECE


This town has crippled me, just as long ago

a town might have crippled me,

with its barracks its empty factories

its black walls topped by broken glass

its narrow streets, treeless, dry

its swarthy, salty women

mobile, fluid, with coal-black eyes

olive skins lightly perspiringjust enough for transient, fleeting love

on shadowy, half-deserted sea-shores

with their stones, tar, rust and thorns.

This town cures me with its nights

the nights of my country that never change.

© 1988, Titos PatríkiosFrom: Antikristi KathreptesPublisher: Kedros, Athens

© Translation: 2005, Peter Mackridge

Fotos NB



03 Maio, 2009

Henrique Pousão, no Museu Nacional Soares dos Reis



"Esperando o Sucesso, Impasse Académico e Modernismo de Henrique Pousão"
Museu Nacional Soares dos Reis - Porto


Porto, no fim-de-semana do 1º de Maio. Tempo magnífico de Primavera, a contrariar todos aqueles que dizem que o Porto não tem cor.O azulão que cobria toda a cidade, irradiado a partir do Douro calmo e em paz com o Atlântico, remetiam-nos para o Mediterrâneo. Os tons não estavam muito longe dos pincelados por H.Pousão captados na ilha de Capri, belissimo quadro que pode ser apreciado no MNSR.
O pretexto foi mesmo esse, tentar perceber onde é que H. Pousão foi beber toda a sua mestria artística e cromática, se ao Alentejo(Vila Viçosa), ao Porto, a Paris ou a Itália?A resposta deixou de ser fácil de dar, devido ao Porto que viemos encontrar, azul, limpido e calmo, tal como Pousão pintou os seus quadros na sua estadia em Itália entre 1882/83.
O drama da vida de Henrique Pousão é também o drama da Arte Portuguesa, provocados pela morte prematura do artista, com 25 anos de idade, ocorrida em Vila Viçosa, tendo sido vitima de tuberculose.
A exposição só por si é muito comedida, não sendo a grande exposição que HP merece e que ainda não lhe foi feita. Trata-se de uma pequena(pequeníssima) exposição, centrada numa das suas sua obras mais conhecidas, "Esperando o Sucesso", a partir da qual se tenta reconstituir as diversas conexões relacionadas com a vida do artista ao longo do seus estádios de formação, criação e afirmação estética.
A intenção é a de comemorar os 150 anos de Henrique Pousão, relembrando que, não fora a sua morte prematura, a História da Arte Portuguesa seria mais rica, mais ousada e mais receptiva às vanguardas artísticas da época. Pousão é um dos maiores artistas da modernidade portuguesa, como o comprova não a exposição em si, mas o conjunto de quadros seus, da colecção do Museu nacional Soares dos Reis, nos quais se destaca a célebre e magnifica paisagem da Ilha de Capri, ou o impressionista quadro de "Mulher na Árvore", magnífico manifesto artístico de um movimento estético que não teve sequência no panorama da arte portuguesa da época e subsequente.
Pousão é magnifico, da exposição esperávamos mais.Também esperávamos poder comprar o catálogo, mas não o pudemos adquirir porque ainda não estava disponível, talvez para a semana, segundo informação dos serviços do Museu.


Fotos NB

"Os Teus Olhos"

O céu azul, não era
Dessa cor, antigamente;
Era branco como um lírio,
Ou como estrela cadente.

Um dia, fez Deus uns olhos
Tão azuis como esses teus,
Que olharam admirados
A taça branca dos céus.

Quando sentiu esse olhar:
"Que doçura, que primor!"
Disse o céu, e ciumento,
Tornou-se da mesma cor!

Florbela Espanca