.....DE AMADEO A PAULA REGO ARTE MODERNA EM PORTUGAL
Visita ao Museu do Chiado, no dia 31 de Outubro, na semana em que se soube que Pedro Lapa vai abandonar as funções de Director do MNAC/Chiado.
Não me vou pronunciar sobre o processo de escolha da nova directora, em desfavor da gestão de Pedro Lapa, por desconhecimento do processo concursal, no entanto, parece-me que o momento da mudança do modelo de gestão para o MNAC/Chiado, poderá vir a originar situações entrópicas para a necessária afirmação do Museu. Desde logo, o facto de estarmos em vésperas do inicio da intervenção/alteração do projecto museológico do Museu do Chiado, a qual se traduzirá pela ampliação da sua área museológica;depois, parece-me, que o Museu Nacional de Arte Contemporânea/Chiado deverá assumir-se como um Museu de Arte Contemporânea Nacional, complementar ao Museu Nacional de Arte Antiga, e não sofrer de qualquer tipo de complexo, nomeadamente, em relação ao Centro de Arte Moderna da FCG; Por último, em vésperas do ano de todas as comemorações do Centenário da Implementação da República, não se conhece o programa de realizações a cargo do MNAC para evocar e comemorar o evento, sendo que este Museu deveria assumir um papel de grande relevância na programação cultural portuguesa de 2010, pelas razões que todos conhecemos.Deverá ser o Museu do Ano, no que à República diz respeito.
Deixo o texto de Pedro Lapa de apresentação da Exposição visitada.
ARTE MODERNA EM PORTUGAL: DE AMADEO A PAULA REGO ARTE MODERNA EM PORTUGAL
Esta exposição traça um percurso pelas práticas artísticas da primeira metade do século XX, em Portugal, e apresenta a sua lenta e complexa modernização num contexto cultural e politicamente adverso. Quando as distâncias entre os países europeus iniciaram o seu processo de colapso e a circulação da informação se constituiu como parte triunfante do novo mundo, a arte moderna portuguesa desenvolveu-se por episódios singulares e amplas descontinuidades. A reacção a este contexto foi a emigração de alguns dos mais relevantes artistas para Paris: primeiro Amadeo de Souza-Cardoso, situação interrompida pela Grande Guerra e sua morte prematura; posteriormente o caso maior e definitivo de Maria Helena Vieira da Silva, a quem Salazar viria a retirar a própria nacionalidade.
As dinâmicas das vanguardas sobre o incipiente contexto moderno permitiram construir um conjunto significativo de experiências, quer no início do século, quer na transição da década de 40 para 50s, com a terceira geração modernista. Também pela primeira vez se apresentam os desenvolvimentos da prática fotográfica desenvolvidos neste período. Quase sempre marginalizados pela História da Arte surgem agora como uma participação plena e em diálogo com as outras práticas artísticas. É para esta época e reconfiguração da modernidade então operada, que esta exposição presta especial atenção. Foram de facto os Abstraccionistas, os Neo-realistas e os Surrealistas que produziram essa modernidade prometida por Amadeo de Souza-Cardoso, passada como testemunho por Almada Negreiros e que estes artistas deram corpo e conflitualidade. No seu limite Joaquim Rodrigo e Paula Rego abriram outros caminhos para novas ficções.
Pedro Lapa
Arte poética
Que erosão
no choque genésico das marés
de encontro às pedras habitadas.
Cai areia na areia.
Assim o gasto da palavra
limando os duros conformismos
libertando as verdades mais remotas
tão necessárias ao fruir dos gestos
de, João Maimona