26 Março, 2010

A Casa dos Patudos



Integrado no III Congresso dos Saberes, organizado pelo Colégio Rainha Dona Leonor das Caldas da Rainha, e tendo as comemorações dos 100 anos de República em Portugal por fundo, propus-me realizar uma sessão de divulgação do extraordinário património histórico e cultural legado por José Relvas à autarquia de Alpiarça e a todos os cidadãos.
Oportunidade para relembrar a importância que José Relvas desempenhou no triunfo da República Portuguesa, em 1910, a sua acção política, como membro do Directório do Partido Republicano, como declarante do triunfo da República no 5 de Outubro de 1910, como Ministro das Finanças do primeiro governo provisório republicano, como Senador eleito por Viseu, como Embaixador de Portugal em Espanha, como Primeiro-Ministro, em 1919, mas também como extraordinario gestor da sua Quinta dos Patudos e do seu Património fundiário e financeiro.
Tivemos a oportundidade de dedicar especial atenção à acção de José Relvas no campo da cultura e da arte.A sua paixão erudita pela Música, pelas belas artes e pelas artes decorativas; o seu relacionamento afectivo com os melhores artistas nacionais e estrangeiros(Bordalo Pinheiro, Malhoa, Columbano, Raul LIno, Sorolla), traduzido na construção de uma monumental colecção de arte, a qual foi legada à população de Alpiarça e, por conseguinte, ao nosso país.
A Casa dos Patudos é hoje uma Casa de Cultura laboratório da prática dos melhores valores republicanos, merecendo toda a nossa atenção, ocupando um lugar muito especial no espaço dos nossos afectos e dos referenciais conotados com as boas práticas republicanas.
No final da sessão ficou o desafio aos presentes para visitarem a Casa dos Patudos, por ser um dos mais belos e mais ricos museus portugueses, por ser uma casa portuguesa, concerteza, e por ser um dos mais notáveis e puros exemplos do ideal republicano português, o qual emana do legado de José Relvas.

BREVE CRONOLOGIA/JOSÉ RELVAS

Ano e Acontecimento
1858 (05 de Março)- Nasce na Golegã José Relvas.
1879 (21 de Novembro)- Nasce em Lisboa Raul Lino.
1882 05 de Fevereiro)- Casamento de José Relvas com Eugénia Antónia de Loureiro da Silva Mendes, filha dos viscondes de Loureiro, residentes em Viseu.
1875/77 - José Relvas frequenta o Curso de Direito, em Coimbra .
1880 - José Relvas conclui o curso de Letras, na Universidade de Lisboa.
1883 - Nascimento do primeiro filho de José Relvas. Teve três filhos, tendo todos falecido antes do falecimento de JR.
1887 - A mãe de José Relvas lega-lhe em testamento a Quinta dos Patudos.
1888 - José Relvas fixa-se na Quinta dos Patudos, em Alpiarça
1897 - Inicio da sua actividade como coleccionador de arte.
1900 - Visita a Exposição Universal de Paris, segundo JR a “Exposição do Século”.
1903 - Inicio da construção da “nova” Casa da quinta dos Patudos, segundo projecto do arquitecto Raul Lino.
1906(Fevereiro) - Alpiarça é elevada à categoria de Vila
1907 - Fundação da Adega Regional do Ribatejo, cujos estatutos foram redigidos por JR.
1908 - José Relvas preside ao Congresso do Partido Republicano realizado na cidade de Coimbra.
1909 - José Relvas é eleito para o Directório do Partido Republicano Português (tal como Teófilo Braga e Eusébio Leão), incumbidos de prepararem a revolução.
1910(Junho) - José Relvas faz parte da delegação que se desloca a Paris e Londres, em missão política preparatória da Revolução Republicana.
1910(5 de Outubro) - Proclama, juntamente com Eusébio Leão e outros republicanos, a instauração da República Portuguesa, a partir da varanda da Câmara Municipal de Lisboa.
1910(Novembro)- José Relvas é nomeado Ministro das Finanças do Governo Provisório.
1911 - Iniciação de JR na loja maçónica “Acácia”, com o nome de “Beethoven”.
1911(Outubro) - José Relvas passa a viver em Madrid na qualidade de Embaixador de Portugal em Espanha, Ministro Plenipotenciário de Portugal.
1913 - José Relvas regressa a Portugal para ocupar o seu lugar de Senador, eleito pelo círculo de Viseu.
1914(02 de Abril) - Alpiarça torna-se sede de concelho autónomo, apenas com uma única freguesia.
1915 - José Relvas resigna ao cargo de Senador.
1919 - José Relvas desempenha o cargo de Primeiro-ministro, apenas durante dois meses.
1929(31 de Outubro) - José Relvas morre na sua Casa dos Patudos.
1929 - José Relvas lega em testamento a sua Quinta dos Patudos, e praticamente todos os seus bens, ao Município de Alpiarça.
1929 - Publicação da obra de Raul Lino, “A casa portuguesa “.
1960 - A Casa dos Patudos abre as suas portas ao público como Museu, por vontade e nas condições testamentárias definidas por José Relvas.

22 Março, 2010

"Le Regard ou a poética da alva abstracção"

Sábado dia 20 de Março no Centro Cultural das Caldas da Rainha

Pintura de Jorge Feijão

Um dos três núcleos da Exposição multifacetada e multiautoral em que a arte de Jorge Feijão se assume como elo de ligação e de incisão a múltiplos discursos parafraseados.
No CCC o que ressalta é o branco dos suportes contrastantes com incisões de lampejos de pureza anagramática. As pinturas exalam uma poesia de urbanidade melancólica, despojadas de conformidade e de expressividade. O espaço e os planos fundem-se numa retórica que inquire a própria pintura. O despojamento estético manifestado nas obras apresentadas sintetiza a relação experiencial empreendida por JF ao longo dos últimos anos, marcada pelo confronto cultural entre o meio que rodeia o artista e a gestualidade da sua obra. Para JF não existe neutralidade nem passividade. Os espaços, imensuráveis, projectados pela linguagem dos planos delimitados pela impressividade embebida a barras a óleo, a carvão sobre papel, delineados pela esferográfica, sugeridos pela mancha acrílica, configuram um discurso poético e uma imagética ascética, e interventiva. A uma poética captativa do despojamento e do “deserto”, corresponde uma pintura de incisão e de “risco vivencial”, ou, como diz Celso Martins, como marca gestual do “quase nada”, registada na fronteira entre a não inscrição e a aparição de algo significativo.
Até 31 de Maio, com a promessa da CMCR editar o merecido catálogo lá para o mês de Abril.Será?

19 Março, 2010

Museu Rafael Bordalo Pinheiro - Lisboa




Regresso ao Museu Rafael Bordalo Pinheiro (Março de 2010)
Para visitar duas Exposições, a primeira “Um companheiro de viagem - Bordalo Pinheiro e a República”, integrada na colecção permanente, no piso 1.
Trata-se de uma mostra inserida no âmbito do programa de rotatividade expositiva formulado no programa museológico da reabertura do Museu, a qual ambiciona dar a conhecer as vastas colecções que integram o seu espólio, a pensar na comemoração do Centenário da Implantação da República e nos alunos do ensino secundário. Apropriado e adequada, diremos nós, sempre surpreendidos pela magia do Mestre Bordalo em registar a sua época, o seu humor sibilino e a sua destreza sociológica.
Nas intenções da organização da exposição estavam a criação de “ um percurso temático que pretende explorar a "questão republicana", através da obra bordaliana, nas suas diversas manifestações artísticas.
Nesta mostra procurou-se ilustrar temáticas, eventos e sobressaltos políticos em que a verve de Bordalo mostra uma sintonia mais explícita com a propaganda, as movimentações e as exaltações mais caras aos republicanos. Nesta ordem de ideias a exposição procura ilustrar os pontos de contacto entre a obra de Bordalo, as idiossincrasias republicanas e as situações e eventos políticos em que o partido republicano assumiu papel relevante”.
Para visitar e ler com tempo….


A segunda exposição vista (Bordalo Pinheiro - Cerâmica dedicada), patente na Galeria das Exposições Temporárias, tivemos as oportunidade de ver um conjunto de vinte e seis peças de cerâmica dedicada que integram a colecção do Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa, complementada com diversa documentação arquivística, reunidas pela primeira vez sob a temática da dedicatória,
Tivemos a oportunidade de apreciar um valiosíssimo espólio artístico, o qual constitui "apenas" uma pequena parte de um número muito mais vasto de peças que o artista ofereceu ao longo da sua “aventura cerâmica”. Executadas entre 1883 e 1905, principalmente na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, estas peças estão hoje integradas em diversas colecções públicas e particulares, em Portugal e no estrangeiro. Muitas delas conhecemos apenas por notícia, ignorando-se o seu paradeiro.
Por isso, alem das peças do Museu, a exposição mostra ainda, em imagem, alguns desses exemplares que se encontram dispersos.
Esta mostra pretende divulgar um trabalho de recolha sistemática das peças que Rafael Bordalo Pinheiro dedicou, e através delas conhecer um pouco dos que com ele se cruzaram no seu percurso de vida e de trabalho.
Falta o catálogo da exposição, para pena nossa, lacuna recorrente neste belíssimo Museu.

08 Março, 2010

Sábado, 6 de Março, na Madre de Deus



Regresso ao Museu Nacional do Azulejo para visitar a Exposição “Casa Perfeitissima”, a propósito dos 500 Anos da Fundação do Mosteiro da Madre de Deus, monumento irmão mais novo da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo e do Hospital Termal das Caldas da Rainha.
Trata-se de uma evocação, sublime evocação diremos nós, que exalta a sensibilidade mecenática da Rainha “perfeitíssima”, que nos possibilita percorrer os espaços do magnífico conjunto arquitectónico e nos faculta a possibilidade de reapreciar um conjunto de obras maiores da arte portuguesa, de que destacamos as tábuas do Retábulo de Santa Auta, do Retábulo de Quentin Metsys e a escultura em talha de São João Baptista, entre muitos outros.
Destaque ainda para os medalhões cerâmicos Della Robbia, obras maiores e mais refulgentes de uma acção artística generosa, marcada pelo bom gosto e pela exigência, empreendida pela rainha mulher de D. João II.
Da Exposição resultou um excelente catálogo contendo um conjunto extraordinário de estudos que informam as novidades históricas produzidas pelos investigadores nos anos mais recentes, possibilitadoras do conhecimento mais rigoroso da vida e acção da Rainha D. Leonor e da memória do Monumento Nacional, hoje Museu Nacional do Azulejo.
“Fundado em 1509 pela rainha D. Leonor (1458-1525), mulher de D. João II e irmã de D. Manuel I, o Mosteiro da Madre de Deus cedo se afirmou como um espaço de excepção no contexto português. Por ocasião da comemoração do V Centenário da sua fundação, o Museu Nacional do Azulejo inaugura uma exposição dedicada ao edifício, às suas obras de arte e à sua fundadora.
Imbuída do espírito da Devotio Moderna, ou da procura de uma relação mais directa com Deus, D. Leonor foi uma personagem ímpar do universo intelectual e mecenático da Europa do Renascimento. A sua actividade como mecenas, que permitiu tornar o Mosteiro da Madre Deus num dos mais ricos de Lisboa e do reino, é relembrada nesta exposição que junta peças oriundas de várias partes do continente europeu. São peças de pintura, iluminura, cerâmica, têxteis e escultura, que aliam à qualidade técnica uma riqueza iconográfica e de sentido que importa revelar e analisar no entendimento que se pretende desenvolver da figura da própria Rainha e do lugar a que ficou associada.”
Exposição que pode ser vista até 11 de Abril de 2010
www.mnazulejo.imc-ip.pt